Onde estão os médicos do SUS no Paraná — e por que o interior fica sempre sem
A desigualdade na distribuição de profissionais que condena regiões inteiras ao desassistência
O Paraná tem médicos. Muitos médicos. Cerca de 50 mil profissionais ativos no estado, segundo dados do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR).
O problema não é falta de profissionais. É onde eles estão.
Os médicos se concentram em Curitiba e nas grandes cidades — Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa. O interior, os municípios pequenos e as regiões rurais ficam com o restante.
E essa distribuição desigual condena milhões de paranaenses a esperar meses por uma consulta, a viajar dezenas de quilômetros para fazer um exame, a enfrentar fila na UPA sem médico plantonista.
Onde estão os médicos do SUS no Paraná? E por que o interior fica sempre sem?
Os números da desigualdade
Segundo o CRM-PR e o Ministério da Saúde, a capital tem cerca de 3,5 médicos por mil habitantes — um dos melhores índices do país.
No interior, esse número cai drasticamente. Municípios como Adrianópolis, Tunas do Paraná, Bocaiúva do Sul e Doutor Ulysses têm menos de 0,5 médico por mil habitantes.
Ou seja: Curitiba tem 7 vezes mais médicos por habitante que esses municípios.
Isso significa que o morador do interior tem 7 vezes menos chance de ser atendido por um médico no SUS. 7 vezes menos chance de ter um especialista perto. 7 vezes mais chance de adoecer sem tratamento.
Por que os médicos não vão para o interior?
Falta de atrativos
O médico recém-formado tem dívidas, precisa ganhar dinheiro, quer qualidade de vida. O interior oferece salário menor, plantão mais pesado, menos oportunidade de especialização e menos estrutura familiar.
Falta de carreira
No interior, o médico não vê perspectiva de crescimento. A Secretaria Municipal de Saúde tem poucos cargos de chefia. A prefeitura pequena não tem plano de carreira estruturado. O profissional chega, fica um ano, vai embora.
Sobrecarga
No interior, o médico muitas vezes é o único da cidade. Atende UBS, UPA, internação, parto, emergência, consulta agendada. Tudo sozinho. No plantão de 24 horas, atende 60, 70 pacientes. A conta chega em forma de burnout. E o médico sai.
Falta de estrutura
O posto tem equipamento velho. O exame precisa ser feito em outra cidade. A internação depende de vaga em hospital regional. O médico quer fazer o melhor, mas não tem ferramenta. A frustração afasta.
Para mim, Leandro Cazaroto, essa desigualdade é gritante
Atuo no mercado imobiliário há anos e visito cidades do Paraná inteiro. Em cada município pequeno, vejo de perto a falta de médicos.
Já conversei com prefeitos que oferecem salário acima da média, casa mobiliada, carro da prefeitura — e mesmo assim não conseguem atrair profissional.
Já ouvi de moradores que viajam 2 horas de ônibus para consultar com clínico geral na cidade vizinha — e que o especialista, só indo para Curitiba, com 6 meses de espera.
Já vi secretário de saúde chorando porque o único médico da cidade pediu demissão — e não há substituto à vista.
A falta de médicos no interior não é um problema natural. É uma escolha política. O estado poderia fazer muito mais.
O que o estado faz — e o que não faz
O governo estadual tem programas de atração de profissionais para regiões carentes. O Mais Médicos, programa federal, já trouxe profissionais estrangeiros para municípios pequenos. Algumas prefeituras oferecem incentivos próprios.
Mas é pouco. Descontínuo. Sem planejamento de longo prazo.
O que falta?
Plano de carreira estadual para médicos no interior
O estado poderia criar um programa de médicos contratados diretamente pela Secretaria de Estado da Saúde, lotados em municípios carentes, com salário diferenciado, plano de carreira, especialização paga e tempo de permanência mínimo.
Incentivos para residência no interior
As residências médicas são concentradas em Curitiba. O residente forma na capital, fica na capital. Se o estado criasse bolsas e vagas de residência no interior, muitos profissionais ficariam.
Infraestrutura como atrativo
O médico topa ir para o interior se tiver estrutura mínima: hospital com leito, equipamento de diagnóstico, ambulância, equipe de apoio. O estado pode investir nessa infraestrutura.
Telessaúde como aliado
O médico do interior precisa de suporte especializado. Telemedicina pode conectar o clínico geral do município pequeno com o especialista do hospital de referência. Isso reduz a sobrecarga e melhora a qualidade do atendimento.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado assuma a responsabilidade pela distribuição de médicos no Paraná.
Vou propor um programa estadual de atração e fixação de médicos no interior, com incentivos claros e metas anuais.
Vou fiscalizar a execução dos programas existentes — e denunciar onde o dinheiro está, mas o médico não aparece.
Vou cobrar que o estado lidere a implantação da telessaúde na rede pública, conectando os pequenos municípios aos grandes centros.
E vou exigir que nenhuma cidade do Paraná fique sem médico por mais de 30 dias — com plano de contingência estadual para cobertura temporária.
O paranaense do interior não merece menos saúde que o paranaense da capital. A vida não vale menos fora de Curitiba.
Faça parte dessa construção
Você mora no interior do Paraná? Já enfrentou dificuldade para encontrar médico na sua cidade? Já precisou viajar para se consultar?
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Pergunta para você, que leu até aqui:
Na sua cidade, qual a maior dificuldade na saúde: falta de médico clínico geral, falta de especialista, demora para exame ou falta de estrutura do posto? Deixe sua resposta nos comentários. Sua experiência ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos fazer do interior do Paraná um lugar onde o médico queira ficar.
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