Leitos de UTI no Paraná: existe quantidade suficiente para a população ou vivemos no limite?
O fio da navalha entre o atendimento digno e o colapso que ninguém quer discutir
O Paraná tem 11,5 milhões de habitantes.
Quantos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) o estado tem disponíveis para atender essa população em caso de emergência — uma pandemia, um desastre natural, um pico de doenças respiratórias, ou mesmo a demanda cotidiana de acidentes, cirurgias e complicações graves?
A resposta é: menos do que deveria.
E, em algumas regiões do estado, muito menos.
O número mínimo que a ciência recomenda
A Organização Mundial da Saúde recomenda de 3 a 5 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes.
O Paraná tem hoje cerca de 2,8 leitos de UTI pública e privada (contratados pelo SUS) para cada 10 mil habitantes.
Ou seja: o estado opera abaixo do mínimo recomendado pela OMS.
E esse número médio esconde realidades ainda piores.
A desigualdade dentro do estado
Curitiba e região metropolitana concentram cerca de 60% dos leitos de UTI do Paraná. O restante do estado — com mais de 6 milhões de habitantes — fica com 40%.
No Noroeste, no Sudoeste e nos Campos Gerais, a oferta de leitos é significativamente menor que a demanda. Nessas regiões, o paciente grave muitas vezes precisa ser transferido para Curitiba ou para grandes centros — horas de viagem em ambulância, risco de morte no caminho.
Em municípios pequenos e médios, simplesmente não há UTI. O paciente entuba no pronto-socorro e aguarda vaga em outra cidade. Aguarda horas. Às vezes, dias. Em maca no corredor. Sem intensivista. Sem equipamento especializado.
Isso não é exceção. É rotina.
O limite do sistema em dias normais — e em dias de crise
No dia a dia, a taxa de ocupação dos leitos de UTI no Paraná gira em torno de 85% a 90%.
Parece aceitável. Não é.
Na prática, ocupação acima de 80% já indica operação no limite. Significa que não há folga para picos de demanda. Significa que qualquer aumento sazonal — gripe no inverno, acidentes em feriado, surto de virose — pode levar ao colapso.
E quando uma crise maior acontece, como a pandemia de Covid-19, o sistema simplesmente quebra.
Em 2020 e 2021, o Paraná precisou abrir leitos de retaguarda improvisados, contratar equipamentos emergencialmente e transferir pacientes para outros estados. Faltaram leitos. Faltaram respiradores. Faltaram profissionais.
E a lição foi aprendida? Em parte. O estado ampliou a rede de UTI durante a pandemia, mas depois reduziu parte da capacidade. Voltamos a operar no limite.
Para mim, Leandro Cazaroto, essa é uma questão de planejamento
Atuo no mercado imobiliário há anos e sei que qualquer projeto de desenvolvimento urbano precisa considerar a infraestrutura de saúde como condicionante.
Onde a população cresce, precisa crescer também o número de leitos de UTI.
Já vi loteamentos serem aprovados em regiões onde o hospital mais próximo não tinha UTI. Já vi prefeitura autorizar a construção de milhares de unidades habitacionais sem exigir contrapartida em saúde.
O crescimento populacional é previsível. O estado sabe quais regiões vão crescer. Saber deveria planejar. Mas não planeja. Depois, na emergência, corre atrás. Gasta mais. Salva menos.
Planejamento em saúde não é gasto. É investimento em vidas. E quem não planeja está escolhendo — ainda que silenciosamente — que algumas pessoas vão morrer na fila da UTI.
Onde o estado precisa agir com urgência
Ampliação da rede no interior
O interior do Paraná precisa de mais leitos de UTI descentralizados. Não adianta concentrar tudo em Curitiba. O paciente grave não pode viajar 300 km para ser intubado. O tempo é fator determinante na sobrevivência.
Regulação estadual eficiente
O sistema de regulação de leitos (SISREG) precisa funcionar em tempo real e com transparência. A família do paciente precisa saber onde há vaga. O médico precisa ter acesso rápido à informação. Hoje, a regulação trava — e o paciente espera.
Leitos de retaguarda planejados
O estado precisa manter uma reserva estratégica de leitos de UTI, equipamentos e profissionais — para ativar em emergências sem ter que improvisar no desespero.
Condicionamento de habitação e loteamentos
Nenhum novo empreendimento habitacional de grande porte deveria ser aprovado sem que o município e o estado garantam leitos de UTI proporcionais ao aumento populacional. Isso precisa virar lei.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado planeje a rede de UTI para a demanda real — não para o orçamento mínimo.
Vou propor um plano estadual de ampliação de leitos de UTI, com metas anuais e distribuição regional obrigatória.
Vou fiscalizar o cumprimento da recomendação da OMS de 3 leitos para cada 10 mil habitantes — e cobrar transparência sobre taxa de ocupação e tempo de espera por vaga.
Vou exigir que o sistema de regulação de leitos seja informatizado, público e de fácil acesso para profissionais e famílias.
E vou denunciar onde o crescimento populacional ocorre sem a contrapartida em infraestrutura de saúde.
Ninguém deveria morrer esperando uma vaga na UTI. Isso não é fatalidade. É falta de quem cobre.
Faça parte dessa construção
Você ou alguém da sua família já precisou de UTI pelo SUS? Quanto tempo esperou por uma vaga? Foi atendido perto de casa ou precisou ser transferido?
Compartilhe este artigo com seus amigos, vizinhos e familiares. Quanto mais gente cobrar planejamento e transparência nos leitos de UTI, maior a pressão para que o estado aja.
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Pergunta para você, que leu até aqui:
Na sua região, o acesso a leitos de UTI é fácil ou demorado? Você já enfrentou dificuldade para internação em UTI de familiar? Deixe sua resposta nos comentários. Sua experiência ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos transformar o limite em folga — e a espera em atendimento.
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