Madeireira fechou em Doutor Ulysses: quando a estrada custa empregos
150 famílias perderam o sustento porque a PR-092 ainda não tem asfalto. Quantas mais vão embora?
Era uma madeireira que empregava 150 pessoas em Doutor Ulysses. Pai e filho trabalhavam juntos. Vizinhos dividiam o mesmo turno. Famílias inteiras dependiam daquele salário.
Até que a madeireira fechou.
O motivo não foi falta de matéria-prima. Não foi crise no setor. Não foi má gestão. Foi a estrada. Os caminhões não conseguiam mais chegar e sair da cidade com regularidade. O custo logístico inviabilizou o negócio. E 150 famílias ficaram sem renda da noite para o dia.
Esse não é um caso isolado. É a história de Doutor Ulysses, o município com o menor IDH do Paraná — e um dos maiores exemplos de como a falta de infraestrutura destrói empregos e condena regiões ao atraso.
Estrada é emprego. Sem estrada, o emprego vai embora
A relação entre infraestrutura e geração de emprego é direta. Onde não há estrada, não há investimento. Onde não há investimento, não há emprego. E onde não há emprego, as pessoas vão embora.
Doutor Ulysses vive esse ciclo. A PR-092, que liga a cidade a Cerro Azul, tem apenas 22% da pavimentação concluída. Os outros 78% seguem em estrada de chão. Em dias de chuva, o trajeto vira uma aventura — e o transporte de cargas se torna inviável.
Resultado? Empresas deixam de se instalar. Empresas que estão lá fecham. Empregos vão para outras cidades. A juventude migra em busca de oportunidades. Quem fica, enfrenta o desemprego e a falta de perspectivas.
O custo invisível da falta de asfalto
O fechamento da madeireira é um número que aparece nas estatísticas. Mas há custos invisíveis que não são contabilizados:
🚛 Custo logístico elevado: Produtos que saem de Doutor Ulysses chegam mais caros ao mercado — ou simplesmente não chegam.
🏭 Empresas que não vêm: Investidores olham para a região e desistem. A infraestrutura precária inviabiliza qualquer plano de negócio.
👨🌾 Agricultura familiar prejudicada: O pequeno produtor perde competitividade. O leite, os grãos e a produção agropecuária enfrentam dificuldades para escoar.
💰 Desvalorização dos imóveis: Uma região isolada tem seus imóveis desvalorizados. O patrimônio das famílias perde valor. O sonho da casa própria se torna mais distante.
Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos, essa relação entre estrada e valorização é clara. Onde a infraestrutura chega, o imóvel valoriza. Onde ela falta, o patrimônio se desvaloriza. E não são apenas os imóveis — é a vida das pessoas que perde valor.
150 empregos perdidos. E as outras madeireiras?
A madeireira que fechou em Doutor Ulysses não era a única da região. Outras empresas do setor enfrentam o mesmo drama. Algumas seguem operando no limite, arcando com custos logísticos elevados e perdendo competitividade.
Quantos empregos ainda vão ser perdidos? Quantas famílias vão precisar deixar a cidade em busca de sustento? Quantas comunidades vão se esvaziar até que o asfalto chegue?
Essas perguntas não têm resposta — mas têm um culpado: a ausência do poder público. A pavimentação da PR-092 está em andamento há anos. Mas o ritmo lento das obras condena a região ao isolamento e à pobreza.
O que pode ser feito para gerar emprego em Doutor Ulysses?
O fechamento da madeireira é um alerta. Mas o cenário pode mudar com ações concretas:
1. Conclusão urgente da PR-092
A obra precisa ser acelerada. Cada quilômetro de asfalto significa um passo em direção ao desenvolvimento e à geração de emprego. Uma emenda parlamentar pode destinar recursos específicos para isso.
2. Incentivos fiscais para novas empresas
Criar programas estaduais que atraiam indústrias e serviços para a região, com benefícios fiscais e infraestrutura básica.
3. Capacitação profissional
Preparar a mão de obra local para as novas oportunidades que virão com a chegada do asfalto e dos investimentos.
4. Regularização fundiária
Garantir segurança jurídica para quem quer investir na região, com regularização de imóveis e planejamento urbano.
5. Apoio ao empreendedorismo local
Fomentar pequenos negócios e o comércio local, criando um ecossistema econômico mais diversificado.
O custo de esperar
Enquanto o asfalto não chega, Doutor Ulysses paga um preço alto:
⏳ Tempo perdido — viagens longas, emergências que demoram, oportunidades que não se concretizam
💰 Recursos desperdiçados — caminhões que gastam mais combustível, produtos que perdem valor
👥 Pessoas que vão embora — jovens que não encontram oportunidades, famílias que se desfazem
🔁 Um ciclo que se repete — a pobreza se perpetua, e o IDH continua sendo o menor do estado
Doutor Ulysses não pode esperar mais.
Um chamado à ação
O fechamento da madeireira não precisa ser o fim da história. Pode ser o início de uma nova fase — se houver vontade política e ação concreta.
Você já viu alguma empresa fechar na sua cidade por causa da infraestrutura? Deixe seu relato nos comentários!
📌 Compartilhe este artigo com quem conhece a realidade de Doutor Ulysses e do Vale do Ribeira. Essa história precisa ser contada e cobrada.
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