O que é um CAPS e por que o Paraná ainda tem municípios sem um sequer
O equipamento essencial de saúde mental que o estado não leva para quem mais precisa
Você sabe o que é um CAPS?
A sigla significa Centro de Atenção Psicossocial. É um equipamento público de saúde, vinculado ao SUS, destinado a atender pessoas com transtornos mentais moderados e graves.
Diferente de um hospital psiquiátrico, o CAPS não isola o paciente. Ele acolhe, trata e reinsere na comunidade. Funciona com uma equipe multiprofissional: psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, enfermeiros.
O CAPS é, hoje, a principal porta de entrada para o tratamento de saúde mental no Brasil.
E o Paraná ainda tem municípios inteiros sem um sequer.
Os tipos de CAPS e o que cada um oferece
CAPS I
Atendimento para municípios com menor porte populacional. Funciona em horário comercial. Oferece acolhimento, consultas, medicação e acompanhamento.
CAPS II
Para cidades de médio porte. Funciona em horário comercial ampliado. Atende transtornos mentais graves e persistentes.
CAPS III
O mais completo. Funciona 24 horas, inclusive fins de semana e feriados. Ofereve acolhimento noturno, leitos de repouso e atendimento de urgência. É o equivalente a um hospital psiquiátrico — mas humanizado e comunitário.
CAPS AD
Especializado em transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
CAPS i
Especializado em saúde mental infantojuvenil. Atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves.
Onde o Paraná está — e onde deveria estar
Segundo dados do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde, o Paraná tem hoje cerca de 119 CAPS em funcionamento.
Parece um número razoável? Não é.
A recomendação técnica é de pelo menos um CAPS para cada 100 mil habitantes. O Paraná tem 11,5 milhões de pessoas. Deveria ter, no mínimo, 115 CAPS — se fossem todos CAPS III.
Mas a maioria dos CAPS paranaenses é de pequeno porte (CAPS I e II), com funcionamento parcial e equipe reduzida. O atendimento noturno e de fim de semana é precário ou inexistente na maior parte do estado.
E, pior: há municípios com mais de 50 mil habitantes que ainda não têm CAPS nenhum.
Os municípios esquecidos
Adrianópolis — 0 CAPS.
Tunas do Paraná — 0 CAPS.
Bocaiúva do Sul — 0 CAPS.
Doutor Ulysses — 0 CAPS.
Rio Branco do Sul — 0 CAPS.
Cerro Azul — 0 CAPS.
Esses municípios ficam na Região Metropolitana de Curitiba. A menos de cem quilômetros da capital. E não têm sequer um CAPS I.
O morador dessas cidades que precisa de atendimento de saúde mental — com depressão grave, transtorno bipolar, ideação suicida, crise de pânico — depende de vaga em município vizinho. Se houver transporte. Se houver vaga. Se o CAPS da cidade vizinha aceitar paciente de fora.
Na prática, muitos simplesmente não conseguem atendimento. Adoecem sozinhos. Chegam ao pronto-socorro em crise. São medicados e mandados para casa. Voltam semanas depois, piores.
Para mim, Leandro Cazaroto, esse é um absurdo
Atuo no mercado imobiliário há anos e já levei projetos para dezenas de municípios paranaenses. Em cada cidade pequena, a história se repete.
A falta de CAPS não é falta de recurso. É falta de prioridade.
Os municípios pequenos não têm CAPS porque o estado não lidera a instalação. Não porque não exista demanda. Não porque não haja profissional disponível. Não porque o município não queira.
O estado transfere a responsabilidade para as prefeituras — e as prefeituras de cidades pequenas simplesmente não têm orçamento para construir, equipar e manter um CAPS.
Enquanto isso, a pessoa com depressão fica sem tratamento. O jovem com ideação suicida não tem a quem recorrer. A família cuida sozinha, sem apoio, sem orientação, sem remédio.
Isso é abandono. E precisa ser cobrado.
O que o estado alega — e a verdade
O governo do estado afirma que os CAPS são de responsabilidade municipal. Que a função do estado é repassar verba e coordenar a política.
Verdade parcial.
A Constituição e a Lei Orgânica da Saúde estabelecem competência compartilhada. O estado pode — e deve — atuar supletivamente onde o município não consegue sozinho.
E o estado pode usar sua capacidade de investimento para construir CAPS em municípios de menor porte — e depois repassar a gestão para a prefeitura.
Isso já acontece em outras áreas da saúde. Por que não na saúde mental?
Porque não há vontade política. Porque saúde mental ainda é tratada como “menos importante” que outras áreas. Porque o paciente psiquiátrico não rende voto.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado assuma sua responsabilidade na saúde mental.
Vou fiscalizar o plano estadual de expansão da rede CAPS — e exigir metas anuais concretas, com município, tipo de CAPS e prazo de implantação.
Vou propor que o estado lidere a instalação de CAPS em municípios de pequeno porte, com investimento direto na construção e repasse da gestão para a prefeitura após pronta entrega.
Vou cobrar que nenhuma regional de saúde fique sem pelo menos um CAPS III funcionando 24 horas.
E vou denunciar onde a verba existe, mas o descaso impede a entrega.
Saúde mental não pode esperar. Cada município sem CAPS é uma comunidade abandonada.
Faça parte dessa construção
Você sabe se a sua cidade tem CAPS? Já tentou atendimento de saúde mental pelo SUS e não conseguiu? Quanto tempo esperou?
Compartilhe este artigo com seus vizinhos, amigos e familiares. Quanto mais gente entender o que é um CAPS e por que ele é essencial, maior a pressão para que o estado aja.
Siga Leandro Cazaroto nas redes sociais e acompanhe as propostas para saúde, assistência social e direitos humanos no Paraná.
Pergunta para você, que leu até aqui:
Na sua opinião, qual deveria ser a prioridade do estado na saúde mental: ampliar CAPS, reduzir fila de espera para psiquiatra, formar mais profissionais ou campanhas de prevenção ao suicídio? Deixe sua resposta nos comentários. Sua opinião ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos fazer do Paraná um estado onde ninguém fique sem CAPS.
.png)
