24.704 motivos para falar sobre saúde mental no Paraná
Os dados que ninguém apresenta — e o abandono silencioso que precisa acabar
24.704.
Esse número representa a quantidade de pessoas que procuraram atendimento de saúde mental na rede pública do Paraná em um único mês de 2025. E não conseguiram vaga.
Foram 24.704 pessoas com depressão, ansiedade severa, transtorno bipolar, ideação suicida, crises de pânico. Pessoas que bateram na porta do SUS pedindo ajuda — e ouviram “não tem vaga”, “volta mês que vem”, “tenta no CAPS da cidade vizinha”.
Esse é o dado que ninguém apresenta.
Esse é o abandono silencioso que o estado insiste em não discutir.
A epidemia invisível
A Organização Mundial da Saúde já alertou: o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade do mundo. E o segundo com maior taxa de depressão nas Américas.
No Paraná, a situação não é diferente.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, os atendimentos por transtornos mentais e comportamentais na rede pública cresceram 35% entre 2020 e 2025. O número de afastamentos do trabalho por depressão e ansiedade disparou. As tentativas de suicídio entre jovens aumentaram.
E a rede de atendimento? Cresceu muito menos que a demanda.
O mapa do descaso
O Paraná tem hoje 119 CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) em todo o estado.
Parece um número razoável? Não é. A recomendação do Ministério da Saúde é de pelo menos um CAPS para cada 100 mil habitantes. O Paraná tem 11,5 milhões de pessoas. Deveria ter pelo menos 115 CAPS — mas apenas se fossem todos CAPS III, que funcionam 24 horas.
Na prática, a maioria dos CAPS paranaenses é de porte menor, com funcionamento parcial e equipe reduzida. O atendimento noturno e de fim de semana é precário ou inexistente.
Regiões inteiras do estado não têm CAPS. Municípios pequenos dependem de atendimento em cidades vizinhas — quando há transporte e quando há vaga.
Adrianópolis, Tunas do Paraná, Bocaiúva do Sul, Doutor Ulysses: zero CAPS. Zero leito psiquiátrico público. Zero equipe de saúde mental dedicada.
Para mim, Leandro Cazaroto, esse tema é urgente
Atuo no mercado imobiliário há anos e vejo como o estresse da vida urbana — transporte lotado, violência, falta de creche, desemprego, endividamento — adoece as pessoas.
Já conversei com famílias que perderam um ente querido para o suicídio. Já ouvi relatos de mães que não conseguem atendimento para filhos com depressão grave. Já vi trabalhador sendo demitido porque não conseguiu comprovar com laudo médico o que sentia — e o médico não dava o laudo porque “não tinha tempo”.
A saúde mental não é frescura. Não é falta de Deus. Não é falta de vergonha na cara.
É doença. E doença se trata com médico, remédio, terapia e acolhimento.
Mas o estado trata como se fosse opcional. Como se pudesse ficar para depois. Como se 24.704 pessoas por mês não fossem um escândalo.
Onde o estado falha
Falta de CAPS suficientes
A cobertura é desigual. Regiões ricas têm mais equipamentos. Regiões pobres — especialmente as áreas rurais e os municípios pequenos — não têm nada.
Falta de atendimento especializado
Psiquiatra pelo SUS no Paraná: tempo médio de espera de 6 a 12 meses. Psicólogo: 4 a 8 meses. Para quem está em crise, esse prazo é uma sentença.
Falta de leitos psiquiátricos
Os poucos leitos públicos para internação psiquiátrica estão concentrados em Curitiba e nas grandes cidades. O interior não tem.
Falta de articulação com atenção básica
O médico do posto de saúde receita ansiolítico e manda para casa. O psicólogo da UBS está sobrecarregado. O encaminhamento para o CAPS demora.
Falta de campanhas de prevenção
O estado ainda trata saúde mental como tabu. Não faz campanha massiva. Não treina professores e agentes comunitários. Não fala abertamente sobre suicídio.
O custo do silêncio
Cada pessoa com transtorno mental não tratado custa ao estado:
- Mais faltas ao trabalho e ao escola
- Mais uso de serviços de emergência (UPAs e hospitais)
- Mais risco de violência — contra si ou contra outros
- Mais internações prolongadas quando finalmente chega ao atendimento
Tratar custa menos que não tratar. O estado gasta muito mais com a consequência do que gastaria com a prevenção.
Mas a conta — como sempre — é empurrada para o futuro.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é tirar a saúde mental da invisibilidade.
Vou cobrar a ampliação da rede CAPS no Paraná — com meta de pelo menos um CAPS III em cada regional de saúde.
Vou fiscalizar o tempo de espera para consulta com psiquiatra e psicólogo — e exigir redução para no máximo 30 dias.
Vou propor um programa estadual de formação de profissionais da atenção básica para identificar e acolher transtornos mentais.
E vou denunciar onde o dinheiro existe, mas a prioridade não.
Saúde mental não pode ser tratada como gasto. É investimento em vidas.
Faça parte dessa construção
Você ou alguém da sua família já precisou de atendimento de saúde mental pelo SUS? Quanto tempo esperou? Encontrou vaga?
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Pergunta para você, que leu até aqui:
Na sua opinião, qual é a maior barreira para o atendimento de saúde mental no Paraná hoje: falta de CAPS, demora para consulta com psiquiatra, falta de informação ou preconceito? Deixe sua resposta nos comentários. Sua experiência ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos transformar os 24.704 motivos em 24.704 razões para agir.
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