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Regularização fundiária: o direito à cidade que falta para milhares de famílias

Regularização fundiária: o direito à cidade que falta para milhares de famílias

Milhares de famílias na Região Metropolitana de Curitiba vivem em ocupações irregulares, sem escritura, sem segurança jurídica e sem acesso a serviços básicos


Imagine acordar todos os dias em uma casa que não é sua. Não legalmente, pelo menos. Você construiu, cuidou, pintou, reformou. Mas não tem escritura. Não tem registro. Não tem segurança. A qualquer momento, uma ordem judicial pode determinar sua remoção.

Essa é a realidade de milhares de famílias na Região Metropolitana de Curitiba. Elas vivem em ocupações irregulares — em Curitiba, Colombo, Piraquara, Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais. São famílias que construíram suas casas com as próprias mãos, mas não têm o direito à cidade.

A regularização fundiária é o caminho para garantir esse direito. É o processo que transforma uma ocupação irregular em um bairro regularizado, com infraestrutura, serviços e segurança jurídica. Mas o processo é lento, complexo e caro — e a burocracia muitas vezes trava a solução.

O que é regularização fundiária?

Regularização fundiária é o processo de legalização de imóveis ocupados de forma irregular. Ela envolve:

📄 Título de propriedade: A família recebe a escritura do imóvel.

🏗️ Infraestrutura: A área recebe água, esgoto, energia, pavimentação, iluminação.

🏥 Serviços públicos: A área passa a ter acesso a saúde, educação, transporte.

🔒 Segurança jurídica: A família não corre mais o risco de ser despejada.

A regularização fundiária não é apenas um processo técnico. É um processo de cidadania.

Quem é afetado?

O diagnóstico da RMC aponta os municípios com maior concentração de ocupações irregulares:

Curitiba

A capital concentra ocupações em diversas áreas, especialmente nas periferias e em áreas de manancial. A fila por moradia social persiste, e a população em situação de rua cresce.

Colombo

A segunda maior cidade da RMC tem crescimento acelerado e ocupações irregulares em áreas de risco — encostas, margens de rios, áreas de preservação.

Piraquara

Grande parte do território está em Área de Proteção Ambiental (APA), o que cria um conflito entre preservação e moradia.

Fazenda Rio Grande

A expansão periférica gerou loteamentos sem infraestrutura adequada — pavimentação, iluminação, esgoto.

São José dos Pinhais

O polo industrial atrai trabalhadores, mas a oferta de moradia não acompanha a demanda.

O custo da irregularidade

A falta de regularização fundiária tem um custo alto para as famílias e para a sociedade:

Para as famílias

🏚️ Sem segurança jurídica: A família não tem a garantia de que a casa é sua.

💸 Sem acesso ao crédito: Não é possível financiar melhorias ou construir ampliações.

🚰 Sem infraestrutura: Faltam água tratada, esgoto, energia, pavimentação.

🏥 Sem serviços públicos: As famílias têm dificuldade de acessar saúde e educação.

Para a sociedade

💰 Perda de arrecadação: Os imóveis irregulares não pagam impostos municipais.

🏗️ Custos futuros: A regularização posterior é mais cara do que a prevenção.

🌿 Degradação ambiental: As ocupações irregulares muitas vezes degradam áreas de preservação.

Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos, a regularização fundiária é uma das pautas mais urgentes. Não se trata apenas de dar um pedaço de papel para as famílias. Trata-se de garantir o direito à cidade, o direito à moradia digna, o direito a viver sem o medo constante de perder tudo.

Por que a regularização é tão difícil?

A regularização fundiária é um processo complexo que envolve múltiplos obstáculos:

1. Questões ambientais

Muitas ocupações estão em áreas de preservação permanente, mananciais ou outras áreas protegidas. A regularização exige estudos de impacto ambiental e medidas de compensação.

2. Questões fundiárias

Muitas áreas são de propriedade privada ou têm conflitos de posse. A regularização exige a negociação com os proprietários ou a desapropriação.

3. Questões urbanísticas

As ocupações muitas vezes não seguem o plano diretor do município. A regularização exige a adequação da área ao zoneamento urbano.

4. Burocracia

O processo de regularização envolve múltiplos órgãos — municipal, estadual, federal — e é lento e caro.

5. Custos

A regularização exige investimentos em infraestrutura — água, esgoto, energia, pavimentação — que muitas vezes não estão disponíveis.

O que está sendo feito?

Existem políticas e programas que buscam enfrentar o problema:

1. REURB (Regularização Fundiária Urbana)

A Lei nº 13.465/2017 criou o REURB, um processo simplificado de regularização de assentamentos irregulares.

2. Programas municipais

Alguns municípios têm programas de regularização fundiária, com equipes dedicadas ao tema.

3. Emendas parlamentares

Deputados podem destinar recursos para a regularização fundiária e para a infraestrutura das áreas regularizadas.

4. Parcerias com o setor privado

Em alguns casos, o setor privado pode participar da regularização, com incentivos do poder público.

O que precisa ser feito?

Apesar dos avanços, o problema persiste. É preciso:

1. Agilizar o processo

A burocracia precisa ser reduzida. O processo de regularização precisa ser mais rápido e acessível.

2. Ampliar os recursos

Mais recursos precisam ser destinados à regularização e à infraestrutura das áreas regularizadas.

3. Integrar órgãos

A regularização envolve municípios, estado e União. A integração entre os órgãos é fundamental.

4. Priorizar a realocação

Famílias em áreas de risco extremo precisam ser realocadas com urgência, com moradia digna.

5. Educação e assistência

As famílias precisam de apoio para entender o processo e para se organizarem.

O que a Assembleia Legislativa pode fazer?

O deputado estadual tem um papel fundamental na solução do problema:

1. Emendas parlamentares

Destinar recursos para a regularização fundiária e para a infraestrutura das áreas regularizadas.

2. Projetos de lei

Propor leis que criem programas estaduais de regularização fundiária, com metas claras e recursos específicos.

3. Articulação

Promover o diálogo entre o governo estadual, os municípios e as comunidades para a regularização das áreas ocupadas.

4. Fiscalização

Cobrar do governo estadual e dos municípios a implementação de políticas de regularização fundiária.

O custo de esperar

Enquanto as soluções não chegam, a RMC paga um preço alto:

🏚️ Famílias sem segurança jurídica: Milhares de famílias vivem sob ameaça de despejo.

💸 Perda de arrecadação: Os imóveis irregulares não pagam impostos.

🏗️ Custos futuros: A regularização posterior é mais cara.

🌿 Degradação ambiental: As ocupações degradam áreas de preservação.

O direito à cidade

A regularização fundiária não é apenas uma questão técnica. É uma questão de direitos humanos.

O direito à moradia é constitucional. Mas ele só se realiza plenamente quando a moradia é regularizada, com acesso a serviços públicos, infraestrutura e segurança jurídica.

A cidade não é apenas o espaço físico. É o espaço da cidadania. E a cidadania não pode ser negada a quem vive em ocupações irregulares.

Um chamado à ação

A regularização fundiária é um direito das famílias — e uma responsabilidade do poder público. O direito à cidade não pode ser um privilégio para alguns.

Você conhece alguém que vive em uma ocupação irregular? O que você acha que falta para a regularização avançar? Deixe sua opinião nos comentários!


📌 Compartilhe este artigo com quem conhece a realidade das ocupações irregulares na RMC. A regularização fundiária é um direito — e precisa ser cobrada.

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leandrocazarotodep

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