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Doutor Ulysses: o menor IDH do Paraná e o isolamento que impede o desenvolvimento

Doutor Ulysses: o menor IDH do Paraná e o isolamento que impede o desenvolvimento

Uma cidade de 14 mil habitantes, 45 km de estrada de chão e o menor índice de desenvolvimento humano do estado


Você sabia que existe uma cidade no Paraná onde o acesso principal ainda é por estrada de chão? Onde uma emergência de saúde pode se transformar em tragédia por causa da distância e da falta de asfalto? Onde uma madeireira com 150 empregos fechou porque os caminhões não conseguiam chegar?

Essa cidade existe. É Doutor Ulysses. E ela tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Paraná — 0,546, considerado baixo pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O dado é alarmante, mas não é um destino. É uma realidade que pode e deve ser transformada.

O que é o IDH e por que ele importa?

O IDH mede o desenvolvimento de uma região com base em três pilares:

✅ Renda – a capacidade das pessoas de gerar e acessar recursos
✅ Educação – o acesso ao conhecimento e à formação
✅ Longevidade – a expectativa de vida e as condições de saúde

Quando o IDH é baixo, significa que as pessoas vivem menos, estudam menos e ganham menos. É um ciclo que se retroalimenta — e que só se rompe com políticas públicas estruturantes.

Em Doutor Ulysses, esse ciclo é alimentado por um fator que deveria ser básico: o acesso.

PR-092: 45 km de isolamento

Por anos, o único acesso à cidade foi por estrada de chão. São 45 quilômetros entre Doutor Ulysses e Cerro Azul. Em dias de chuva, o percurso de 1h20 vira uma aventura imprevisível.

A PR-092 está em obras de pavimentação — mas apenas 22% foram concluídos até fevereiro de 2026.

O que isso significa na prática?

🚑 Uma ambulância que demora para chegar ou para levar um paciente grave

🚛 Um caminhão que não chega para escoar a produção ou entregar insumos

👨‍🎓 Um estudante que perde horas no transporte escolar

🏥 Um morador que desiste de buscar tratamento por causa da dificuldade

O custo do isolamento: empregos que se vão

O impacto não é só no dia a dia. O isolamento mata empregos.

Uma madeireira que gerava 150 empregos diretos na região encerrou suas operações. O motivo? Os caminhões não conseguiam mais acessar a cidade com regularidade. O custo logístico inviabilizou o negócio.

Outras empresas deixaram de se instalar na região — e com elas, oportunidades de trabalho, renda e desenvolvimento.

Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos e vejo como o acesso e a infraestrutura são determinantes para o valor de uma região, esse assunto é importante porque estrada não é só asfalto. É dignidade. É acesso. É a possibilidade de uma família construir um futuro.

O direito à saúde negado pela distância

Em Doutor Ulysses, não há saúde especializada. Para uma consulta com um neurologista, um ortopedista ou um oncologista, os moradores precisam se deslocar até Cerro Azul ou Curitiba.

O isolamento prolonga emergências. Inviabiliza o atendimento regular. Transforma uma consulta de rotina em um dia inteiro de viagem.

Quantas pessoas deixam de fazer exames? Quantas desistem de tratamentos? Quantas mortes poderiam ser evitadas com acesso básico?

O que pode ser feito? Soluções práticas

O diagnóstico é grave, mas o cenário pode mudar. E a mudança passa por ações concretas:

1. Conclusão da pavimentação da PR-092

A obra está em andamento, mas o ritmo precisa ser acelerado. Uma emenda parlamentar pode destinar recursos para garantir a conclusão — e com ela, o fim do isolamento viário crítico.

2. Incentivos para geração de emprego

A região precisa de políticas de atração de empresas, com incentivos fiscais e infraestrutura para indústrias e serviços. Um barracão industrial, por exemplo, pode ser o primeiro passo.

3. Ampliação do acesso à saúde

Enquanto a estrada não fica pronta, é preciso garantir atendimento itinerante — com unidades móveis e telemedicina. Além disso, investir na formação de profissionais locais.

4. Regularização fundiária e moradia

O desenvolvimento de Doutor Ulysses passa também pela segurança jurídica da posse da terra. Regularizar imóveis e garantir moradia digna é parte da equação.

Juntos, podemos mudar essa realidade

Doutor Ulysses não precisa continuar sendo o menor IDH do Paraná. Essa é uma escolha política — e uma escolha que pode ser revertida com vontade, planejamento e ação.

Que cidade você acha que mais precisa de atenção no Paraná? Deixe seu comentário e compartilhe sua opinião!


📌 Compartilhe este artigo com quem se importa com o desenvolvimento do Vale do Ribeira. Essa história precisa ser contada.

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