UBS no Paraná: o que é, como funciona e por que é a porta mais importante do sistema de saúde
O posto de saúde que deveria resolver 80% dos seus problemas — mas que o estado deixa sucatear
Você já foi ao posto de saúde e ouviu “o médico não veio hoje”? Já precisou de um exame simples e disseram “não tem vaga, volta mês que vem”? Já tentou marcar uma consulta e ficou semanas esperando?
Isso acontece na UBS — a Unidade Básica de Saúde. O posto de saúde do seu bairro, da sua cidade.
A UBS é a porta de entrada do SUS. É ali que o paciente deve ser acolhido, consultado, examinado, tratado, prevenido. É ali que se faz o pré-natal, que se vacina a criança, que se acompanha o hipertenso e o diabético, que se detecta o câncer precocemente.
Uma UBS bem equipada e bem abastecida resolve 80% dos problemas de saúde da população. Só sobra 20% para o especialista, para o hospital, para a UTI.
Mas no Paraná, a UBS é tratada como porta de entrada secundária. O paciente vai direto para a UPA, superlotando a emergência, porque o posto de saúde não funciona. A prevenção não acontece. A fila do especialista explode. O sistema inteiro colapsa.
O problema não está só no hospital, na UTI, no especialista. Está na porta de entrada. E a porta de entrada está enferrujada.
O que é a UBS e o que ela deveria oferecer
A Unidade Básica de Saúde é o primeiro nível de atenção do SUS. Ela deve estar localizada perto da casa do paciente, oferecer atendimento gratuito e de qualidade, com equipe multidisciplinar.
Os serviços essenciais da UBS incluem:
- Consulta médica (clínico geral, pediatra, ginecologista, enfermeiro)
- Pré-natal e acompanhamento da gestante
- Vacinação
- Acompanhamento de hipertensão e diabetes
- Curativos, retirada de pontos, aferição de pressão
- Exames básicos (glicemia, urina, fezes)
- Prevenção ao câncer de colo de útero (Papanicolau)
- Planejamento familiar (DIU, pílula, camisinha)
- Atendimento de urgência de baixa complexidade (febre, dor de garganta, infecção urinária)
- Visita domiciliar para idosos acamados
- Acompanhamento de saúde mental (depressão, ansiedade)
Uma UBS completa e bem gerida reduz em até 60% as internações hospitalares evitáveis. Isso significa menos fila na UPA, menos sofrimento para o paciente, menos gasto para o estado.
Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos, a UBS é como um bom projeto de urbanização
Quando projetamos um loteamento, a primeira coisa que pensamos é: o morador vai ter acesso fácil a escola, transporte, comércio… e saúde. A UBS é equipamento essencial. Sem UBS perto, o imóvel desvaloriza. A família sofre. A cidade fica incompleta.
Mas de que adianta a UBS existir no mapa se ela não funciona? Se o médico falta. Se o remédio não tem. Se o exame não é feito. Se a demora é insuportável.
Já vi prefeitura inaugurar UBS bonita, com placa, com foto, com discurso. E, três meses depois, a UBS estava fechada por falta de médico. Já vi agente comunitário sobrecarregado, com 500 famílias sob sua responsabilidade — e salário de fome. Já vi paciente desistir do tratamento porque a fila da consulta era tão longa que ele preferiu comprar remédio por conta própria.
A UBS é o coração do SUS. Se o coração não funciona, o corpo inteiro adoece.
O estado da UBS no Paraná
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde e de pesquisas acadêmicas, o Paraná tem cerca de 2.000 UBSs em todo o estado. A cobertura da Estratégia Saúde da Família (equipes que fazem atendimento domiciliar) é de aproximadamente 85% da população.
Mas a qualidade do atendimento é muito desigual.
UBSs bem equipadas em Curitiba e cidades médias. UBSs sucateadas no interior, na periferia da RMC, no Vale do Ribeira. Médico que atende um dia por semana. Equipe reduzida. Remédio que falta. Exame que não sai.
O paciente da periferia de Colombo não tem o mesmo atendimento que o paciente do bairro nobre de Curitiba. O idoso de Quitandinha não tem o mesmo acesso que o idoso do centro da capital.
A desigualdade começa na UBS.
Onde a UBS falha no Paraná
Falta de médico
O médico não quer ir para o interior. O salário é baixo. O plantão é pesado. O isolamento é grande. A UBS fica sem médico. O paciente fica sem consulta.
Falta de insumos básicos
Remédio para hipertensão acaba. Vacina em falta. Material de curativo zerado. O paciente precisa comprar — ou ficar sem tratamento.
Falta de tempo de consulta
O médico vê 30, 40 pacientes por dia. Cinco minutos por consulta. Acolhimento zero. Prevenção zero. O paciente é medicado e mandado embora.
Falta de continuidade do cuidado
O paciente voltou no retorno. O médico é outro. O prontuário está perdido. O tratamento muda. O paciente se perde no sistema.
Falta de integração com a atenção especializada
O médico da UBS encaminha para o especialista. O especialista tem fila de 6 meses. O paciente fica sem atendimento. O clínico geral fica de mãos atadas.
Falta de valorização do profissional
O médico de UBS ganha menos que o médico de hospital. O enfermeiro de UBS ganha menos que o enfermeiro de UPA. O agente comunitário ganha salário mínimo. A UBS atrai os profissionais menos experientes ou mais desmotivados.
O que o estado precisa fazer com urgência
Mais médicos na UBS do interior
Bolsa para médico que aceitar trabalhar em UBS de região carente. Residência médica em atenção primária. Salário diferenciado.
Garantia de insumos
O estado precisa garantir que a UBS nunca fique sem medicamento essencial, vacina ou material de curativo. Compras programadas, estoque regulador, fiscalização ativa.
Tempo de consulta digno
Meta de no mínimo 15 minutos por consulta. Médico que atende rápido demais não acolhe, não previne, não orienta. O paciente vira número.
Prontuário eletrônico integrado
O paciente precisa ser reconhecido em qualquer UBS do estado. O prontuário eletrônico integrado é tecnologia disponível. Falta vontade política para implantar.
Ampliação da telessaúde
O médico da UBS pode consultar com especialista por telemedicina. Evita encaminhamento desnecessário, reduz a fila, qualifica o atendimento. O estado precisa implantar.
Valorização profissional
Plano de carreira para médico, enfermeiro, técnico, agente comunitário. Salário justo. Treinamento continuado. Reconhecimento.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado trate a UBS como prioridade máxima da saúde.
Vou propor um programa estadual de fortalecimento da UBS, com metas de ampliação do número de médicos, garantia de insumos e ampliação do tempo de consulta.
Vou fiscalizar as condições das UBSs no interior e na periferia — e denunciar onde o paciente é desassistido.
Vou cobrar que o estado implante prontuário eletrônico integrado em todas as UBSs do Paraná.
Vou exigir que o médico de UBS seja valorizado — com salário digno, plano de carreira e condições de trabalho adequadas.
UBS forte é SUS forte. UBS fraca é UPA lotada, hospital superlotado, fila de cirurgia, morte evitável.
Faça parte dessa construção
Você conhece a UBS do seu bairro ou da sua cidade? Ela funciona bem ou tem médico faltando, remédio faltando, consulta demorando?
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Pergunta para você, que leu até aqui: na sua experiência, qual é o maior problema da UBS da sua cidade: falta de médico, falta de remédio, consulta muito rápida, demora para agendar ou falta de exame? Deixe sua resposta nos comentários. Sua opinião ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos fazer da UBS a porta de entrada digna que o SUS precisa — e que o povo do Paraná merece.
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