Saúde do idoso no Paraná: distância do hospital que se transforma em risco de vida
O drama de quem mora longe — e o tempo que não espera o socorro chegar
O idoso acorda com dor no peito. Falta de ar. Suor frio. A família percebe: pode ser infarto.
Liga para o Samu. A ambulância vem de outra cidade. Chega em 40 minutos — se tiver disponível. O hospital mais próximo não tem UTI. Precisa transferir. A viagem para Curitiba ou Londrina leva mais 90 minutos.
O tempo é o fator mais importante no infarto. Cada minuto sem atendimento aumenta o risco de morte ou sequela grave.
No interior do Paraná, o idoso morre porque o hospital é longe. A UTI não existe. A ambulância não chega. O Estado simplesmente não está preparado para atender quem mais precisa.
O idoso não pode esperar. A distância não pode ser sentença. Mas no Paraná, ainda é.
O envelhecimento da população e o despreparo do estado
O Paraná está envelhecendo. Segundo o IBGE, a população com mais de 60 anos já ultrapassa 2 milhões de pessoas. Em dez anos, esse número deve crescer 30%.
Mas a rede de saúde não acompanhou. As regiões com maior concentração de idosos — interior, pequenos municípios, áreas rurais — são justamente as que têm pior infraestrutura de saúde.
Posto de saúde que não tem geriatra. Hospital que não tem leito de UTI. Serviço de referência que fica a mais de 100 km de distância. O idoso fratura o fêmur. O idoso tem AVC. O idoso tem infarto. O idoso precisa de cuidado. O estado não oferece.
Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos, essa é uma questão de justiça e planejamento
No mercado imobiliário, aprendi que o valor de um imóvel para um idoso não está só no espaço, mas na proximidade de serviços de saúde. Família com idoso procura casa perto de hospital, perto de UPA, perto de farmácia.
Mas o idoso pobre, que mora no interior, não tem escolha. Mora onde nasceu, onde a família sempre morou. Não pode se mudar para perto do hospital. O hospital que precisa vir até ele — ou pelo menos estar a uma distância segura.
Já vi idoso ser liberado do hospital com curativo para trocar em casa — mas a UBS fica a 20 km e não há transporte. Já vi família deixar de trabalhar para cuidar do idoso acamado porque o estado não oferece cuidador domiciliar.
O idoso paranaense não está sendo tratado como prioridade. E isso é inaceitável.
Os principais problemas da saúde do idoso no Paraná
Distância e tempo de resposta
O idoso no interior depende de Samu ou ambulância municipal. O tempo de resposta muitas vezes ultrapassa 30 minutos. Para AVC ou infarto, esse tempo é crítico.
Falta de leitos de UTI no interior
O idoso grave precisa de UTI. Mas no interior, leitos de UTI são escassos ou inexistentes. A transferência para a capital ou para cidades médias leva horas. O idoso morre no caminho — ou chega em estado irreversível.
Precariedade da atenção domiciliar
Muitos idosos são acamados, dependentes, com múltiplas doenças. Precisam de visita de médico, enfermeiro, fisioterapeuta em casa. O estado oferece? Pouco ou nada. A família cuida sozinha, sem apoio, sem treinamento, sem respiro.
Falta de geriatra no SUS
O geriatra é especialista no idoso. Mas o Paraná tem pouquíssimos geriatras na rede pública — e estão concentrados em Curitiba e nas grandes cidades. O idoso do interior é atendido por clínico geral, que muitas vezes não tem treinamento específico.
Filas para cirurgias eletivas
Idoso com catarata, com prótese de quadril, com hérnia. Cirurgias que poderiam ser feitas no interior, mas a fila é longa. O idoso espera meses, às vezes anos. A qualidade de vida cai. A independência se perde.
Ausência de protocolo de manejo da fragilidade
O idoso frágil precisa de atenção redobrada: prevenção de queda, revisão de medicamentos, suporte nutricional, estímulo cognitivo. O estado não tem protocolo. Cada UBS faz como pode. A maioria não faz.
O que o estado precisa fazer com urgência
Descentralização da UTI
O Paraná precisa de leitos de UTI no interior — descentralizados, bem distribuídos, com equipe treinada. O idoso não pode viajar 200 km para ser entubado.
Fortalecimento do Samu
O Samu precisa de base em municípios estratégicos, com ambulância disponível 24 horas e tempo de resposta máximo de 20 minutos na área urbana e 40 na rural. O estado precisa financiar.
Programa de atenção domiciliar
Visita de médico, enfermeiro, fisioterapeuta na casa do idoso acamado. O estado precisa criar programa estruturado, com equipe dedicada e veículo próprio.
Telemedicina geriátrica
O idoso do interior pode ser avaliado por geriatra da capital por teleconsulta. O estado precisa implantar essa tecnologia nas UBSs rurais e municipais pequenos.
Protocolo de prevenção de quedas
Queda em idoso pode ser fatal. O estado precisa treinar agentes comunitários para identificar risco de queda na casa do idoso — tapete solto, escada sem corrimão, banheiro sem barras de apoio. Pequenas intervenções salvam vidas.
Respiro para o cuidador familiar
O familiar que cuida do idoso sozinho adoece. O estado precisa oferecer um programa de descanso (respiro) — uma vez por semana, uma pessoa treinada fica com o idoso algumas horas para o cuidador poder sair, trabalhar, se cuidar.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado trate a saúde do idoso como prioridade nacional — não como categoria menor.
Vou propor um programa estadual de atenção ao idoso, com metas anuais de ampliação de leitos de UTI no interior, fortalecimento do Samu, atenção domiciliar e telemedicina geriátrica.
Vou fiscalizar o tempo de resposta do Samu e o tempo de espera para cirurgias eletivas do idoso — e cobrar redução imediata.
Vou cobrar que o estado implante protocolo de prevenção de quedas nas UBSs e treine agentes comunitários para identificar risco.
E vou denunciar onde o idoso é esquecido — no posto sem geriatra, no hospital sem UTI, na fila da cirurgia que não chega.
O idoso não pode esperar. O tempo não espera. E o estado não pode cruzar os braços.
Faça parte dessa construção
Você tem pai, mãe, avô, avó idosos? Eles já enfrentaram dificuldade para ser atendidos no SUS no interior? Já precisaram de UTI e não tinha perto? Já passaram horas no Samu esperando?
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Pergunta para você, que leu até aqui: na sua experiência, qual é o maior risco para o idoso que mora no interior do Paraná: distância do hospital, falta de leito de UTI, demora do Samu, falta de geriatra ou ausência de atenção domiciliar? Deixe sua resposta nos comentários. Sua opinião ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos fazer do Paraná um estado onde o idoso não morra pela distância.
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