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Saúde mental dos jovens paranaenses: o que a pandemia deixou e o que a política pública ignora

Saúde mental dos jovens paranaenses: o que a pandemia deixou e o que a política pública ignora

Uma geração marcada pelo isolamento, pelo medo e pela falta de acolhimento


A pandemia de Covid-19 acabou. Os decretos foram revogados. As máscaras sumiram. As festas voltaram.

Mas uma herança ficou.

Ela não está nos hospitais ou nos números de óbitos. Está na cabeça e no coração de uma geração inteira de jovens paranaenses.

A pandemia deixou sequelas profundas na saúde mental dos adolescentes e jovens adultos. Ansiedade disparou. Depressão explodiu. Os casos de automutilação e ideação suicida cresceram de forma assustadora.

E a política pública? Ignorou. Como se o problema fosse passageiro. Como se os jovens fossem “voltar ao normal” sozinhos.

Não vão.


Os números que assustam e que o estado esconde

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde e de pesquisas acadêmicas realizadas em universidades paranaenses, os atendimentos por transtornos mentais entre jovens de 15 a 29 anos cresceram mais de 60% no Paraná entre 2019 e 2025.

Os registros de automutilação em adolescentes aumentaram 85% no mesmo período. As tentativas de suicídio entre jovens mais que dobraram.

E esses números, já alarmantes, provavelmente são subestimados. Muitos casos não chegam ao sistema de saúde. Muitas famílias não procuram ajuda por vergonha. Muitos jovens sofrem sozinhos.


O que a pandemia fez com os jovens

Isolamento prolongado

O adolescente ficou meses sem ver os amigos. Sem ir à escola. Sem rituais de passagem — formatura, festa de 15 anos, primeiro emprego, vestibular presencial. O desenvolvimento social foi interrompido no momento mais crítico.

Luto não elaborado

Milhares de jovens perderam avós, pais, tios, primos. Muitos não puderam se despedir. O funeral foi impedido. O luto foi vivido sozinho, no quarto, pela tela do celular.

Medo do futuro

A pandemia mostrou que o mundo pode parar. Que o amanhã não é garantido. Que o planejamento de vida pode ruir. Para um jovem que está construindo identidade e projeto de futuro, essa incerteza é devastadora.

Sobrecarga nas telas

Escola remota, lazer digital, relacionamento por aplicativo. O jovem passou a viver dentro do celular. Sem separação entre estudo, diversão e descanso. A tela virou prisão.


Para mim, Leandro Cazaroto, essa é uma emergência silenciosa

Atuo no mercado imobiliário há anos e converso com muitas famílias. Pais e mães me contam, em off, o que não contam para ninguém.

“Meu filho não quer sair do quarto.” “Minha filha parou de comer.” “Ele disse que não vê sentido na vida.”

Esses relatos são cada vez mais frequentes. E a resposta do poder público? Um CAPS lotado, uma lista de espera de meses para psicólogo, um psiquiatra que atende em 15 minutos e receita um remédio.

Não é suficiente. Não é perto do suficiente.

O jovem não precisa só de remédio. Precisa de acolhimento. Precisa de espaço para falar. Precisa de atividades, de esporte, de cultura, de trabalho, de sentido. O estado não oferece nada disso.


O que a política pública ignora

A escola como local de acolhimento

A escola é onde o jovem passa a maior parte do dia. Mas os professores não estão preparados para identificar sofrimento mental. Não há psicólogo em todas as escolas. Não há programa de acolhimento sistematizado.

Falta de CAPS infantojuvenis

O Paraná tem apenas 10 CAPS i (infantojuvenis) em todo o estado. Pouquíssimos. A demanda é muito maior. O jovem com crise é atendido em CAPS de adulto — ou não é atendido.

Falta de leitos psiquiátricos para jovens

Quando o adolescente precisa ser internado — por risco de suicídio, por surto psicótico, por anorexia grave — a vaga é escassa. Muitas vezes o jovem é internado em enfermaria de adulto, em hospital distante, longe da família.

Ausência de programas de prevenção

O estado não tem campanha permanente de saúde mental nas escolas. Não treina professores. Não orienta pais. Não fala abertamente sobre suicídio — com medo de “incentivar”. Esse silêncio mata.

Desarticulação entre saúde, educação e assistência social

O jovem com sofrimento mental precisa de atendimento integrado. A escola identifica, a UBS atende, o CAPS trata, o CRAS acompanha. Mas os sistemas não conversam. Cada um trabalha sozinho. O jovem se perde no meio.


O que precisa mudar

Psicólogo em toda escola estadual

O estado precisa garantir que cada colégio da rede pública tenha pelo menos um psicólogo disponível para acolhimento. Não para terapia contínua, mas para escuta, identificação e encaminhamento.

Ampliação da rede CAPS i

O Paraná precisa de no mínimo um CAPS i por regional de saúde. O jovem não pode viajar 100 km para ser atendido.

Programa de formação para professores

Professor não é psicólogo. Mas pode aprender a identificar sinais de sofrimento mental e a fazer o encaminhamento correto. O estado precisa oferecer essa formação.

Campanha permanente de prevenção ao suicídio

Falar sobre suicídio não incentiva. Previne. O estado precisa de campanha contínua, com linguagem jovem, nas escolas, nas redes sociais, nas comunidades.

Articulação entre secretarias

Saúde, educação, assistência social, cultura, esporte — todas precisam atuar juntas pelo jovem. Um programa estadual de saúde mental juvenil precisa integrar essas pastas.


O compromisso de Leandro Cazaroto

Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado olhe para a saúde mental dos jovens como prioridade — não como problema residual.

Vou propor um programa estadual de saúde mental nas escolas, com psicólogo em toda unidade de ensino e formação continuada para professores.

Vou fiscalizar a ampliação da rede CAPS i no Paraná — com meta de implantação por regional de saúde e prazo máximo de dois anos.

Vou exigir que o estado realize uma pesquisa bienal sobre saúde mental dos jovens, com dados públicos e indicadores claros.

E vou denunciar onde a verba existe, mas o descaso impede a política pública de chegar a quem precisa.

A pandemia deixou uma cicatriz invisível nos jovens paranaenses. Ignorar essa cicatriz não vai fazê-la desaparecer. Vai transformá-la em epidemia.


Faça parte dessa construção

Você tem filhos adolescentes ou jovens adultos? Eles apresentaram mudanças de comportamento depois da pandemia? Você sabe onde procurar ajuda?

Compartilhe este artigo com outros pais, com professores, com líderes comunitários. Quanto mais gente falar sobre saúde mental dos jovens, maior a pressão para que o estado aja.

Siga Leandro Cazaroto nas redes sociais e acompanhe as propostas para saúde, educação e qualidade de vida no Paraná.


Pergunta para você, que leu até aqui:

Na sua opinião, qual deveria ser a prioridade número um do estado para cuidar da saúde mental dos jovens: psicólogo na escola, ampliação dos CAPS, campanhas de prevenção ou formação de professores? Deixe sua resposta nos comentários. Sua opinião ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.


Juntos, podemos transformar o sofrimento silencioso em acolhimento real.

Author

leandrocazarotodep

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