Currículo e mercado: um diálogo que não acontece
Você já parou para pensar quantos jovens saem do ensino médio sem saber o que o mercado de trabalho realmente espera deles?
Enquanto isso, empresários reclamam que não encontram mão de obra qualificada. Um paradoxo cruel: de um lado, jovens desempregados. Do outro, vagas sobrando sem candidatos aptos.
O que está faltando? Não é esforço dos estudantes. Não é má vontade dos empresários.
É desalinhamento curricular.
No Paraná em 2026, a formação profissional ainda é pensada de forma genérica, desconectada das vocações econômicas de cada região. O aluno aprende conteúdos que não dialogam com as oportunidades reais de trabalho do seu entorno.
E o resultado? Frustração de um lado, improdutividade do outro.
Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos, essa desconexão é gritante. Eu vejo diariamente a dificuldade de encontrar profissionais formados em Gestão Imobiliária, Administração de Condomínios ou Avaliação de Imóveis — áreas que movimentam bilhões no Paraná.
E, no entanto, quantas escolas estaduais oferecem esses cursos? Quase nenhuma.
O Abismo Entre a Sala de Aula e o Chão da Fábrica
Vamos aos números. Segundo pesquisa do Sistema Fiep (Federação das Indústrias do Paraná) e do Observatório do Trabalho da UFPR (2025):
- 67% dos empresários paranaenses relatam dificuldade para contratar profissionais com as habilidades técnicas necessárias.
- 54% dos jovens entre 18 e 24 anos afirmam que o que aprenderam na escola não ajudou a conseguir o primeiro emprego.
- 71% dos gestores escolares reconhecem que o currículo da rede estadual está desatualizado em relação às demandas do mercado local.
⚠️ Compartilhe esta informação: 7 em cada 10 empresários do Paraná não encontram profissionais qualificados. O problema não é falta de jovem — é falta de formação alinhada.
E a pergunta que não quer calar: por que isso acontece?
As 5 Grandes Lacunas da Formação Profissional no Paraná
1. Currículo engessado e nacionalizado
O Paraná segue as BNCC (Base Nacional Comum Curricular) , que é genérica para todo o país. O resultado? Um aluno de Umuarama (capital do agronegócio) aprende o mesmo conteúdo de um aluno de Matinhos (litoral com vocação turística). Não faz sentido.
2. Falta de diálogo com o setor produtivo
As escolas estaduais raramente consultam empresários, sindicatos e associações comerciais para desenhar seus currículos. O mercado muda rápido — a escola não acompanha.
3. Ausência de educação financeira e empreendedorismo
Uma pesquisa do SEBRAE-PR (2025) mostrou que 82% dos jovens paranaenses não sabem calcular juros de um financiamento imobiliário ou formalizar um pequeno negócio. Habilidades essenciais para qualquer profissão, mas ausentes no currículo.
4. Tecnologia e soft skills ignoradas
Comunicação, trabalho em equipe, resolução de problemas, inteligência emocional — as chamadas soft skills — são mais exigidas do que nunca. Mas não são ensinadas nas escolas públicas.
5. Desconexão com a vocação regional
O Paraná tem 10 macrorregiões com vocações econômicas muito distintas. Mas a formação profissional é padronizada. Um jovem do Vale do Ribeira (potencial para turismo ecológico) não tem curso técnico nessa área. Um jovem do Norte Pioneiro (agronegócio forte) não aprende gestão rural.
Por Região: O Que o Mercado Pede vs. O Que a Escola Ensina
Vamos a um exercício prático. Com base em dados da Secretaria de Planejamento do Paraná e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) :
| Região | Vocação econômica | Profissões mais demandadas | O que a escola estadual oferece |
|---|---|---|---|
| Oeste (Cascavel, Toledo) | Agronegócio, frango, soja | Técnico em agropecuária, gestão rural, logística | Poucos cursos técnicos; ênfase em conteúdos gerais |
| Norte (Londrina, Maringá) | Tecnologia, serviços, comércio | Desenvolvimento de sistemas, vendas, marketing digital | Ofertas isoladas; defasagem em tecnologia |
| Litoral (Paranaguá, Guaratuba) | Portuário, turismo, pesca | Técnico em logística portuária, gestão hoteleira, meio ambiente | Quase nenhum curso alinhado |
| Centro-Sul (Guarapuava) | Madeira, papel, celulose | Técnico em segurança do trabalho, mecânica industrial | Cursos técnicos limitados ao agronegócio |
| Norte Pioneiro (Jacarezinho, Cornélio Procópio) | Agronegócio, serviços | Técnico em administração, contabilidade | Currículo geral; pouca oferta técnica |
A conclusão é clara: o currículo não conversa com o chão da fábrica, do campo ou do balcão.
A Perspectiva de Quem Vê a Conexão com o Mercado Imobiliário
Nos meus anos de atuação no mercado imobiliário, aprendi uma coisa: o mercado muda rápido. Quem não se atualiza, fica para trás.
Hoje, uma imobiliária moderna precisa de profissionais que saibam usar CRM, ferramentas de marketing digital, georreferenciamento, análise de dados de financiamento (SAC, Price, MCMV) e, claro, atendimento ao cliente com empatia e técnica.
Quantos jovens formados no ensino médio público sabem o que é um CET (Custo Efetivo Total) de um financiamento? Quantos sabem calcular o valor de um imóvel por metro quadrado na sua região?
Muito poucos. E não é culpa deles. Ninguém ensinou.
Lembro de um caso emblemático. Certa vez, recebi um currículo de um jovem de 18 anos, recém-formado no ensino médio. Ele tinha notas excelentes em matemática e português. Mas não sabia o que era um contrato de locação, não entendia a diferença entre usufruto e propriedade plena, nunca tinha ouvido falar de registro de imóveis.
Contratei mesmo assim. E tive que ensinar do zero os fundamentos do nosso setor. Ele aprendeu rápido e hoje é um dos nossos melhores vendedores.
Mas fica a pergunta: por que a escola não ensinou isso antes?
O Que Propomos para Alinhar Formação Profissional e Mercado Local
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, Leandro Cazaroto defende uma reforma prática do currículo da rede estadual, respeitando a BNCC mas adaptando à realidade paranaense.
✅ 1. Currículo Regionalizado por Macrorregião
Cada uma das 10 macrorregiões do Paraná terá componentes curriculares eletivos alinhados à sua vocação econômica:
- Agronegócio no Oeste e Norte Pioneiro.
- Turismo e meio ambiente no Litoral e na Serra do Mar.
- Tecnologia e inovação no Norte (Londrina/Maringá).
- Logística portuária em Paranaguá.
- Mercado imobiliário e construção civil na RMC e Oeste.
✅ 2. Conselhos Locais de Diálogo Escola-Mercado
Criar em cada município um conselho paritário com professores, gestores escolares, empresários e trabalhadores para revisar o currículo a cada 2 anos.
✅ 3. Educação Financeira e Empreendedorismo Obrigatórios
Incluir no currículo do ensino médio disciplinas de educação financeira (juros, financiamentos, investimentos) e empreendedorismo (formalização de MEI, plano de negócios, marketing digital).
✅ 4. Programa “Mercado Imobiliário na Escola”
Usando minha experiência no setor, quero levar para as escolas estaduais palestras, visitas técnicas e cursos de curta duração sobre o mercado imobiliário — uma das maiores fontes de emprego e renda do Paraná.
✅ 5. Ampliação do Ensino Técnico com Foco Regional
Meta de dobrar o número de vagas em cursos técnicos estaduais até 2030, com oferta priorizada conforme a demanda de cada região.
✅ 6. Estágio Curricular Obrigatório no Ensino Médio
Todo aluno do 3º ano deverá cumprir carga horária mínima de estágio supervisionado em empresas da sua região, com acompanhamento pedagógico.
Juntos, podemos construir um Paraná onde o jovem sai da escola sabendo o que o mercado espera — e o mercado encontra o profissional que precisa.
A Pergunta que Precisa ser Feita
Se a escola não ensina o que o mercado pede, de quem é a responsabilidade?
Do jovem, que precisa trabalhar mas não tem qualificação? Da empresa, que reclama mas não se aproxima da escola? Do estado, que engessa o currículo mas não ouve ninguém?
A responsabilidade é de todos. Mas a liderança para mudar cabe ao poder público.
E Você? O Que Pode Fazer Agora?
Você não precisa ser empresário ou professor para ajudar a construir essa ponte.
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❓ Pergunta para você, leitor:
Na sua opinião, qual habilidade ou conhecimento prático deveria ser ensinado em todas as escolas do Paraná, mas não é? Deixe sua sugestão nos comentários — ela pode virar proposta.
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