Dependência química no Paraná: o gap entre a demanda por tratamento e a oferta do estado
A fila invisível de quem precisa de ajuda — e o estado que não ajuda
O crack, a cocaína, o álcool, os medicamentos controlados. A dependência química não escolhe classe social, idade ou bairro. Ela destrói famílias inteiras. Leva o jovem para o crime. Leva o trabalhador para o fundo do poço. Leva a mãe ao desespero.
E quando a família finalmente consegue convencer o dependente a buscar tratamento — o que encontra?
Falta de vaga. Lista de espera. CAPS AD sobrecarregado. Comunidade terapêutica sem financiamento. Política pública que trata dependência como caso de polícia, não como questão de saúde.
O Paraná tem um gap enorme entre a demanda por tratamento de dependência química e a oferta real do estado. E esse silêncio está matando.
Os números que o estado não divulga
Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde e do Sistema Único de Saúde, o Paraná registra anualmente dezenas de milhares de atendimentos relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas.
Os CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial especializados em álcool e drogas) são a porta de entrada. Mas são poucos. Mal distribuídos. Com equipe reduzida.
O tempo de espera para o primeiro acolhimento pode variar de semanas a meses. Para internação — quando necessária — a espera é ainda maior. Às vezes, simplesmente não há vaga em todo o estado.
As comunidades terapêuticas, que fazem um trabalho essencial de acolhimento de longa duração, vivem com financiamento instável, muitas vezes à beira do fechamento.
O que o estado oferece — e o que não oferece
CAPS AD
O Paraná tem CAPS AD em algumas cidades — Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu. Mas o interior, a Região Metropolitana (fora da capital) e o Vale do Ribeira têm cobertura precária ou inexistente.
Leitos de acolhimento
Há poucos leitos públicos para desintoxicação e estabilização. A maioria é conveniada com instituições filantrópicas, com repasses estaduais irregulares e insuficientes.
Comunidades terapêuticas
Essas entidades fazem o trabalho de retaguarda — acolhimento prolongado, reinserção social, apoio à família. Mas vivem de repasses estaduais incertos. Muitas fecham por falta de recurso.
Política de redução de danos
A abordagem de redução de danos (acolhimento sem exigência de abstinência imediata) ainda é marginal no Paraná. O estado prefere a lógica da “guerra às drogas” — que não funciona e afasta quem precisa de ajuda.
Para mim, Leandro Cazaroto, que atuo no mercado imobiliário há anos, esse assunto é importante porque vejo a relação entre dependência química e desestruturação familiar e comunitária
No mercado imobiliário, aprendi que uma região com problema de dependência química desvaloriza imóveis, afasta comércio, gera violência, empurra famílias para fora. Mas, mais do que isso, vi de perto famílias destruídas pela falta de tratamento.
Já conversei com mãe que perdeu o filho para o crack porque não conseguiu vaga em comunidade terapêutica. Já ouvi de usuário que tentou se internar três vezes — e nas três vezes ouviu “volta mês que vem”. Já vi CAPS AD com equipe de 3 profissionais para atender uma cidade inteira.
Tratar dependência química como caso de polícia é caro e ineficaz. Prende, solta, prende de novo. O ciclo não quebra. Tratar como questão de saúde — com acolhimento, tratamento, moradia assistida, emprego — quebra o ciclo. E custa menos.
Mas o estado insiste no caminho errado.
Onde o estado falha com o dependente químico e sua família
Falta de CAPS AD suficientes
O interior não tem. A RMC (fora Curitiba) não tem. O Vale do Ribeira não tem. O dependente químico dessas regiões simplesmente não tem acesso a tratamento especializado.
Falta de leitos de desintoxicação
A fase aguda da abstinência pode ser fatal. Precisa de leito hospitalar com equipe treinada. Esses leitos são raríssimos no Paraná.
Financiamento instável das comunidades terapêuticas
O repasse estadual para comunidades terapêuticas é incerto, atrasa, muda de valor. Muitas instituições vivem de doações, com equipe voluntária, sem conseguir planejar o atendimento.
Falta de articulação com o Judiciário
Muitos dependentes chegam ao tratamento por determinação judicial — como alternativa à prisão. Mas o estado não estrutura essa política. O juiz determina, mas a vaga não existe.
Ausência de política de reinserção
Tratamento não é só internação. O dependente precisa de moradia assistida, curso profissionalizante, emprego protegido, acompanhamento pós-tratamento. O estado não oferece nada disso.
O que precisa mudar com urgência
Ampliação da rede CAPS AD
O Paraná precisa de CAPS AD em cada regional de saúde — com prioridade para RMC, Vale do Ribeira e regiões de fronteira (onde o tráfico é mais presente).
Leitos de desintoxicação contratados
O estado precisa contratar leitos de desintoxicação em hospitais gerais — com equipe treinada e protocolo específico.
Financiamento estável para comunidades terapêuticas
Repasse trimestral garantido, com reajuste anual e contrato plurianual. Comunidade terapêutica não pode fechar por falta de R$ 10 mil.
Política de redução de danos
Consultório de rua, acolhimento noturno, sala de uso assistido. O que funciona no resto do mundo precisa funcionar no Paraná.
Programa de reinserção social
O dependente que conclui tratamento precisa de moradia transitória, curso profissionalizante, acompanhamento psicológico e encaminhamento ao mercado de trabalho. O estado precisa criar esse programa.
O compromisso de Leandro Cazaroto
Como pré-candidato a deputado estadual em 2026, minha missão é cobrar que o estado trate dependência química como política de saúde — não como caso de polícia.
Vou propor um plano estadual de enfrentamento à dependência química, com metas anuais de ampliação de CAPS AD, leitos de desintoxicação e financiamento estável para comunidades terapêuticas.
Vou fiscalizar os repasses às instituições que já fazem o trabalho — para que não fechem por falta de recurso.
Vou cobrar que o estado implante política de redução de danos em todas as regionais de saúde.
E vou denunciar onde a verba existe, mas a prioridade é a repressão — não o acolhimento.
Dependente químico não é bandido. É doente. E doente precisa de tratamento, não de cadeia.
Faça parte dessa construção
Você ou alguém da sua família já precisou de tratamento para dependência química? Conseguiu vaga? Quanto tempo esperou? Enfrentou dificuldade com financiamento ou com falta de acolhimento?
Compartilhe este artigo com seus amigos, vizinhos e familiares. Quanto mais gente souber do gap entre demanda e oferta de tratamento, maior a pressão para que o estado aja.
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Pergunta para você, que leu até aqui: na sua opinião, qual deveria ser a prioridade número um do estado na política de dependência química: mais CAPS AD, mais leitos de desintoxicação, financiamento estável para comunidades terapêuticas ou programa de reinserção social? Deixe sua resposta nos comentários. Sua opinião ajuda a construir uma pauta mais forte para as eleições 2026.
Juntos, podemos transformar o abandono do dependente químico em acolhimento e recuperação.
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